Quase quatro anos depois do incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul divulgou levantamento sobre como caminham os processos relacionados ao caso. Na madrugada de 27 de janeiro de 2013, 242 pessoas morreram e outras 636 saíram feridas após fogos de artifício atingirem o teto da danceteria.

O processo principal que apura a tragédia já foi instruído, com mais de 200 depoimentos, e o juiz Ulysses Fonseca Louzada, da 1ª Vara Criminal de Santa Maria, assinou no ano passado sentença de pronúncia levando quatro réus ao Tribunal do Júri. As defesas recorreram da decisão, e o recurso aguarda resposta em segundo grau.

De acordo com a denúncia, as centelhas acesas durante o show da banda Gurizada Fandangueira entraram em contato com a espuma inflamável das paredes e do teto, desencadeando o fogo e a emissão de gases tóxicos. Os empresários Elissandro Callegaro Spohr e Mauro Londero Hoffmann, sócios da boate, e os músicos Marcelo de Jesus dos Santos e Luciano Augusto Bonilha Leão, integrantes do grupo, são acusados de homicídio duplamente qualificado.

Em um dos desdobramentos do caso, o ex-chefe do Estado Maior do 4º Comando Regional dos Bombeiros de Santa Maria major Gerson da Rosa Pereira foi condenado em 2015 a seis meses de detenção pelo delito de fraude em documentos relacionados ao inquérito policial que apurou as causas do incêndio. A pena foi convertida em prestação de serviços à comunidade. Atualmente, ele recorre da decisão. Já o bombeiro Renan Severo Berleze teve extinta sua punibilidade ao cumprir com as condições da suspensão condicional do processo.

Há ainda outros processos relacionados ao caso:

> Criminal
027/2130006199-2

027/2140011071-5

> Cível
027/1130010831-2

27/1130004136-6

027/1130006788-8

Tramitam ainda dezenas de ações individuais, com pedidos de indenização a parentes de vítimas, em varas cíveis e de Fazenda Pública na Comarca de Santa Maria. Uma das autoras, por exemplo, já conseguiu em segunda instância o direito de receber R$ 20 mil.

Elissandro Spohr, um dos sócios da Kiss, também entrou com ação de danos morais contra o estado do Rio Grande do Sul, o município e o então prefeito Cezar Schirmer (PMDB), o promotor de Justiça Ricardo Lozza, quatro servidores municipais e sete policiais da Brigada Militar envolvidos na ocorrência. Todos são acusados de jogar nas costas do empresário a culpa pela tragédia, omitindo-se de seus atos. Ainda não houve decisão em primeiro grau.

A Justiça Federal já determinou que sócios e administradores da boate Kiss devolvam ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) o dinheiro gasto com benefícios concedidos a funcionários em função do incêndio.

Fonte: http://www.conjur.com.br/2017-jan-23/veja-caminham-processos-ligados-incendio-boate-kiss



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