Presidente reiterou desejo de permanecer no cargo apesar das denúncias da JBS

Se quiserem, me derrubem, diz Temer a jornal  | Foto: Beto Barata / Presidência / CP
Foto: Beto Barata / Presidência / CP.

Ao falar novamente sobre a grave crise política que enfrenta no Brasil, o presidente Michel Temer concedeu entrevista ao jornal Folha de São Paulo e reiterou o desejo de permanecer no cargo. "Se quiserem, me derrubem", disse em uma matéria divulgada nesta segunda-feira.

Na entrevista, Temer relato ainda que não sabia que o dono do grupo JBS, Joesley Batista, era investigado pela Polícia Federal (PF) na época em que se encontrou com ele no Palácio do Jaburu, em Brasília. 

Questionado se irá cumprir a regra que estabeleceu, de que ministro denunciado será afastado do cargo, Temer negou e explicou que é chefe do Executivo, enquanto ministros são agentes do mesmo poder. Ele ainda reforçou que não pretende se afastar voluntariamente porque questionou a gravação feita por Joesley. "Insistem sempre no ponto em que avalizei o pagamento para o ex-deputado Eduardo Cunha, quando não querem tomar como resposta o que dei a uma frase dele em que ele dizia: 'Olha, tenho mantido uma boa relação com Cunha'", argumentou.

Temer fala que conhecia Joesley antes desse episódio e disse que sabia que o empresário era falastrão. O chefe de Estado garantiu que não deu a menor atenção quando o dono da JBS afirmou que "comprou" um procurador e dois juízes. "Sei que ele é um falastrão, uma pessoa que se jacta de eventuais influências. E logo depois ele diz que está mentindo", disse Temer à Folha. 

Suposta prevaricação

Para Temer, não houve prevaricação no encontro que ele teve com Joesley no Palácio do Jaburu. "Eu ouço muita gente e muita gente me fala as maiores bobagens que eu não levo em conta. Confesso que não levei essa bobagem em conta. O objetivo central dessa conversa não era esse. Ele foi levando a conversa para um ponto e as minhas respostas eram monossilábicas", resumiu.

Temer afirmou que Joesley o procurou três vezes e em uma delas até ligou para sua secretária. "Houve um dia em que ele me pegou, conseguiu meu telefone, e eu fiquei sem graça de não atendê-lo. Eu acho que ele ligou ou mandou alguém falar comigo. Agora confesso que não me recordo bem", desconversou.

O presidente não considerou uma falha ter recebido em sua residência oficial o empresário. "Foi um hábito. Não é ilegal (está na lei 12.813/13) porque não é da minha postura ao longo do tempo. Bastava ter um detector de metal para saber se ele tinha alguma coisa ou não, e não me gravaria", disse.

Tudo montagem

O presidente Michel Temer, quando questionado sobre as imagens do deputado Rocha Loures correndo pela rua com uma mala, avaliou que tudo foi montado. "Vou esclarecer direitinho. Primeiro, tudo foi montado. Ele (Joesley) teve 15 dias de treinamento, vocês que deram (em referência à Folha) para gravar, fazer a delação, como encaminhar a conversa", acrescentou.

"O que ele (Joesley) fez? A primeira coisa, o orientaram ou ele tomou a deliberação: 'Grave alguém graúdo'. Depois, como foi mencionado o nome do Rodrigo, certamente disseram: 'Vá atrás de Rodrigo'. E aí, o Rodrigo certamente foi induzido, foi seduzido por ofertas mirabolantes, irreais. Agora a pergunta que se impõe é a seguinte: A questão do Cade foi resolvida? Não foi. A questão do BNDES foi resolvida. Não foi", observou Temer antes de dizer que Rocha Loures errou ao pegar a mala, apesar de considerar que ele é um homem de boa índole. "Sempre tive a convicção de que ele tem muito boa índole. Agora, esse gesto não é aprovável", completou.

Jogo de Joesley

Temer disse ainda que Joesley fez um jogo ao fazer a delação para a Procuradoria Geral da República. "Chamou a atenção de todos a tranquilidade com que ele saiu do País, quando muitos estão na prisão. Ou quando saem, saem com tornozeleira. Além disso, vocês viram o jogo que ele fez na Bolsa. Ele não teve uma informação privilegiada, ele produziou uma informação privilegiada. Ele sabia, empresário sagas que é, que no momento em que entregasse a gravação, o dólar subiria e as ações da sua empresa cairiam. Ele comprou 1 bilhão de dólares e vendeu as ações antes da queda", relatou. 

Fonte: http://www.correiodopovo.com.br/Noticias/Politica/2017/05/618354/Se-quiserem,-me-derrubem,-diz-Temer-a-jornal-




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